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Angela Davis – Mulheres, Raça e Classe

25 / 10 / 2021 | Publicações

Angela Davis, dentre outras coisas, é uma professora, filósofa e feminista marxista que se tornou um ícone do feminismo negro, lutando contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos. Foi filiada ao Partido Comunista dos Estados Unidos e membro do Partido dos Panteras Negras, atualmente é professora emérita do Departamento de Estudos Feministas da Califórnia e continua a proferir discursos e palestras, tratando de questões raciais, penais, feministas e anticapitalistas.

O livro “Mulheres, Raça e Classe” foi publicado pela editora Boitempo em 2016, mas sua versão original é de 1981. Essa obra reúne treze ensaios que fundamentam as origens das lutas feministas e antirracistas em bases materiais e dialéticas. Para tanto, Davis intersecciona mulheres, raça e classe, colocando assim, “em evidência os modos pelos quais as opressões entrelaçadas de gênero e raça, bem como aquelas derivadas da exploração e/ou precarização dos trabalhos, incidem sobre as subjetividades e os corpos das mulheres negras” (BRETAS, A. (2019). Resenha do livro. Mulheres, Raça e Classe, de A. Davis. Trans/Form/Ação, v. 42, n. 2, p. 235-246).

Assim, com a narrativa da história de violência da escravidão e dos conflitos e alianças políticas do movimento abolicionista, Davis mostra que ao explicitar a condição da mulher negra é possível estabelecer uma crítica mais radical à ideologia da “natureza feminina”. Revela que a experiência das mulheres negras fornece um legado de resistência, trabalho e educação que se torna potência para a transformação social. Além disso, mostra como o sistema escravagista, no que dizia respeito à força de trabalho, impunha a mesma forma de opressão a homens e mulheres, mas que ao mesmo tempo, utilizava-se das mulheres negras através das formas mais cruéis de abusos e violências sexuais, como instrumentos de garantia da força de trabalho escrava. Davis diz que lutar contra a opressão e dominação das mulheres só é possível na medida em que se luta também contra o racismo e contra a exploração capitalista; dessa forma, não hierarquiza as opressões ao dizer que a luta por liberdade e igualdade passa pela formação de vínculos de solidariedade entre trabalhadores e trabalhadoras, entre homens e mulheres, entre mulheres brancas e mulheres negras.

Assim, alicerçada no pensamento marxista, Davis evidencia que o racismo e a desigualdade de gênero fazem parte do processo de expropriação da classe trabalhadora e elucida que as lutas pelos direitos das mulheres e antirracistas devem ter em vista “a derrota definitiva do capitalismo monopolista”. Três décadas depois, sua exortação continua valendo e assume seu lugar de protagonismo junto aos movimentos sociais e transnacionais e o feminismo negro brasileiro, em particular. A mensagem de Davis permanece ativa, herdando um “legado de trabalho duro, perseverança e autossuficiência, um legado de tenacidade, resistência e insistência na igualdade sexual [e racial] – em resumo, um legado que explicita os parâmetros para uma nova condição da mulher” (DAVIS, 2016, p. 41).

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