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Heidegger nazista?

4 / 08 / 2021 | Publicações

Martin Heidegger é, com certeza, um dos nomes mais conhecidos da filosofia contemporânea. No entanto, o filósofo alemão também é um dos nomes mais polêmicos do referido período. Tal posição se deu por sua adesão ao nazismo de Hitler. Em 1933, enquanto era reitor da Universidade de Friburgo, Heidegger escreveu:
“Estudantes alemães! A revolução nacional-socialista comporta o completo abalo do nosso estar-aí (Dasein) alemão (…). Que as regras do vosso ser não sejam nem fórmulas doutrinais nem “ideias”. O próprio Führer, e ele somente, é a realidade alemã de hoje, mas é também a realidade de amanhã e sua lei (…). Heil, Hitler. Martin Heidegger, Reitor” (HEIDEGGER, Apelo aos estudantes alemães, 1933).

É válido lembrarmos que Friburgo foi, ao longo da guerra, ocupada pelos franceses. Estes, em um momento posterior ao da guerra, exigiram que fosse formada uma “comissão de depuração”. Constantin Von Dietze, ex-detento antinazista da Igreja Confessional, foi nomeado para ser o presidente dessa comissão. Ainda compunham essa mesma comissão: o teólogo Artur Allgeier e o botânico Friedrich Oehlkers. Como assessor legal, Franz Böhm encerrava a lista de nomeados.

O processo contra Heidegger durou cerca de seis anos. Ao seu final, Böhm afirmou que se demitiria caso Heidegger tivesse sido reintegrado ou nomeado como professor emérito. Böhm ainda prosseguiu com o pedido de afastamento de Heidegger do corpo docente mediante aposentadoria compulsória.

Nas palavras de Böhm: “sentindo profunda amargura pelo fato de que um dos maiores responsáveis intelectuais pela traição política realizada em detrimento das universidades alemães, um homem que, num momento decisivo, encontrando-se na função eminente de uma grande universidade alemã de confim, em alta voz e com intolerante fanatismo, manobrara para o lado errado o timão político e pregara heresias perversas”.

Bom, peripatéticos, este foi o post de hoje. Mas, ainda, faz-se necessário dizer: grandes figuras e grandes pensadores também podem cometer e apoiar as maiores e mais perversas atrocidades!

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Bibliografia: REALE, G.; ANTISERI, D. Filosofia: Idade Contemporânea, vol. 3. Trad. José Bortolini. São Paulo: Paulus, 2018.