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Judith Butler – Performances e heteronormatividade

27 / 10 / 2021 | Publicações

Judith Butler é uma filósofa pós-estruturalista, teórica contemporânea do feminismo e da teoria queer, atualmente atua na Universidade da Califórnia, onde dentre outras coisas, dedica-se às relações de gênero, estudos sobre a mulher, filosofia política e ética.

Em seu livro Problemas de gênero (1990), Butler levanta a questão central de que gênero e sexualidade humana são construídos performativamente, isto é, gênero e sexo são construídos socialmente: “o gênero não está para a cultura como o sexo para a natureza; ele também é o meio discursivo/cultural pelo qual a ‘natureza sexuada’ ou ‘um sexo natural’ é produzido e estabelecido como ‘pré-discursivo’, anterior à cultura” (BUTLER, 1990/2013, p. 25). Dessa forma, Butler se baseia em Foucault ao concluir que há “discursos reguladores” que determinam previamente as possibilidades de sexo, gênero e sexualidade, os quais reafirmam a ideia de um sexo “natural”, construindo, assim, a diferença binária entre os sexos. Tais atributos de gênero são performativos e não expressivos, visto que não existe uma identidade prévia, e sim apenas repetições das construções performáticas que acabam sendo percebidos como fatos.

Além disso, Butler critica também a ideia da heterossexualidade como predisposição natural e prática sexual comum a todos os indivíduos; a heterossexualidade é um discurso, um regime político, uma instituição, igualmente à divisão binária dos sexos. Novamente apoiando-se na tese de Foucault de que a sexualidade é construída nas redes do discurso e do poder, Butler entende que existe em nossa cultura uma matriz binária heterossexual que estabelece uma hierarquia entre masculino e feminino, além de uma heterossexualidade compulsória (heteronormatividade). A consequência disso é o desejo relacionado ao sexo/gênero, isto é, a ligação entre sexo biológico, identidade de gênero e a expressão de ambos na manifestação do desejo sexual; disso resultam as identidades de gênero legítimas (instituem e mantêm relações de coerência entre sexo) e ilegítimas.

Sendo assim, Butler contesta os entendimentos biológicos sobre binarismo sexual onde o corpo não pode ser dito feminino ou masculino, visto que a natureza não é binária e o corpo também é uma construção, dessa forma, a distinção entre apenas dois gêneros se origina no discurso cultural hegemônico baseado em estruturas binárias. Dito isso, Butler acredita na emancipação da mulher e dos outros sujeitos oprimidos na medida em que se subverta a categoria que os aprisionam, ou seja, o binarismo significante/significado. Tendo-se em vista o gênero e o sexo como construções sociais e temporais, as identidades e sujeitos performativos, urge a necessidade de desconstruir a díade sexo/gênero. E isso só poderá ser realizado através da subversão performativa, onde há a ação política como subversão das categorias binárias e heteronormativas.

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