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Léxico e definição: Comediante e Ator

17 / 09 / 2021 | Publicações

Não perdendo o ritmo da Estética, falaremos hoje sobre mais um tema caro para essa disciplina. Diderot foi um dos primeiros pensadores a propor uma filosofia do Belo, e é sobre ele que conversamos hoje.

No texto “Paradoxo do Comediante”, de Diderot, é abordada uma visão de ator para além do que a opinião comum concebia; Diderot propõe afirmações e argumentações cítricas em relação à concepção vulgar de artista do século XVIII. Para o autor, o comediante excepcional deve ser frio, possuir discernimento e penetração e não uma sensibilidade, pois ao depender de um sentimento para representar seu papel este comediante não teria uma evolução em suas representações, não teria continuidade e sempre estaria na mediocridade.

Para além da concepção francesa da época, de que o ator era desocupado, Diderot também apresenta o estudo e trabalho que o ator deve ter em sociedade, e com isso ele se dispõe comover os homens sensíveis, mas é na sociedade, fora dos palcos onde a sensibilidade tem importância, e o homem sensível é o objeto de estudo dos homens frios; o ator diderotiano não apenas imita a natureza, mas a dissimula; a sua pretensão é em alcançar um modelo ideal e para este trajeto o discernimento é parte essencial, o comediante se mostra importante para dar vida ao texto do poeta dramático e este homem frio a todo momento está penetrado na peça, ele exagera o modelo ideal criado pelo poeta, este sujeito é quem ordena cada parte para o espetáculo ser uma unidade, onde as partes relacionam-se com proporcionalidade.

Sendo assim, o ator para Diderot está para além da mediocridade e do comum, ele se apoia na frieza para atuar, e o paradoxo aqui se apresenta, pois Diderot está totalmente contrário com a visão do seu amigo, encarnado na figura do “segundo”, e também o comediante é o mediador do paradoxo posto entre a natureza e a arte, entre o comum e uma obra de arte.