Escolha uma Página

Você sabia que… A história da filosofia fornece as melhores fofocas? Hoje, vamos te contar sobre Sartre e Camus!

9 / 07 / 2021 | Publicações

De um lado, Jean-Paul Sartre, filósofo francês e um dos maiores nomes do existencialismo. De outro, Albert Camus, filósofo franco-argelino e um dos maiores nomes do absurdismo filosófico. Entre eles, uma amizade encerrada.

Durante a ocupação alemã na França até a sua libertação ocorrida ao final da Segunda Guerra Mundial, diversos intelectuais franceses se manifestaram diretamente sobre o processo político que expulsou os alemães do país e, assim, trouxeram questões a respeito de como a França deveria se portar diante do pós-guerra.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, Camus assumiu a direção do jornal Combat, expondo duras críticas à política autoritária do período. Camus, com seu domínio da língua francesa e conhecimento sobre a guerra, começou a ganhar grande notoriedade pela publicação de artigos críticos. Após o encerramento da guerra, Camus também se dedicou aos conflitos ocorridos na Argélia daquele período. Conflitos estes que se referiam à luta argelina pela independência. Para Camus, a independência argelina devia se dar de modo gradual: em primeiro lugar, o filósofo franco-argelino defendia uma reformulação na república que surgiria. Para tanto, seria necessário combater a pobreza e dar uma maior liderança e autonomia ao povo.

Avesso ao posicionamento político de Camus, tínhamos Sartre. Este assimilou, com veemência, à política da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e exigiu de Camus que escolhesse um lado entre os EUA e a URSS.

Com o final da guerra, o jornal dirigido por Camus perdeu prestígio. A partir disso, o Combat foi reformulado: acrescentaram-lhe um posicionamento partidarista. Não aceitando a reforma, Camus deixou o jornal. Em 1972, Camus publicou A peste e, no ano seguinte, O homem revoltado. Neste livro, Camus oferece duras críticas ao fascismo, ao comunismo, ao nazismo e ao franquismo, dizendo que seus fins se debruçam em crimes cada vez mais irracionais.

Com isso, Camus provocou um grande tumulto no meio intelectual da época. Seu maior desentendimento foi com Francis Jeanson, que criticou o livro e a carreira de Camus. A crítica de Jeanson foi publicada em um artigo presente em uma revista coordenada por Sartre, a Les Temps Modernes. Camus acabou acusando Sartre de compactuar com as críticas feitas por Jeanson. Sartre rebateu fazendo outros comentários sobre Camus: acusou-o de “insuficiência filosófica”. Camus não deixou barato e rebateu Sartre. Assim, deu-se o fim do relacionamento entre ambos.


Referências bibliográficas: FONSECA, L. C. O envolvimento e a ruptura de Albert Camus com o pensamento de sua época. Revista Garrafa: Rio de Janeiro, v. 11, n. 34, 2013.